Um Cinema Que Pensa Diferente Sobre Cinema
O cinema chinês não segue o manual de Hollywood. Nunca seguiu. Onde o cinema ocidental evoluiu em torno de protagonistas individuais, estruturas de três atos e realismo psicológico, o cinema chinês se baseia em uma tradição onde a paisagem é um personagem, o silêncio carrega mais significado do que o diálogo, e uma luta de espadas pode ser um argumento filosófico conduzido a 200 milhas por hora.
A história do 中国电影 (Zhōngguó Diànyǐng, cinema chinês) abrange mais de um século, desde as primeiras exibições em casas de chá de Xangai em 1896 até o mercado atual — o maior do mundo em número de telas e, em alguns anos, em receita total de bilheteira. Compreender seus principais movimentos e diretores abre uma porta para uma maneira radicalmente diferente de pensar sobre o que o cinema pode fazer.
A Era de Xangai: A Primeira Idade de Ouro da China
Antes da revolução comunista, Xangai era o Hollywood da China. As décadas de 1930 e 1940 produziram filmes sofisticados que misturavam técnicas de filmagem ocidentais com tradições literárias e teatrais chinesas. Diretores como 费穆 (Fèi Mù) criaram obras de extraordinária sutileza. Seu filme de 1948 "Spring in a Small Town" (小城之春, Xiǎo Chéng Zhī Chūn) — sobre uma mulher dividida entre seu marido doente e um ex-amor — utiliza arquitetura, clima e a distância precisa entre os corpos para transmitir emoções que o diálogo nunca toca. É frequentemente citado como o maior filme chinês já feito.
Os estúdios de Xangai também foram pioneiros em 武侠片 (Wǔxiá Piàn, filmes de artes marciais) já na década de 1920, estabelecendo um gênero que se tornaria a exportação cinematográfica mais distintiva da China.
A Quinta Geração: Arte Que Abalou o Mundo
Após a devastação das artes chinesas pela Revolução Cultural, a primeira turma da Academia de Cinema de Pequim — a chamada Quinta Geração — emergiu no início da década de 1980 com uma fúria que transformou o cinema mundial. 陈凯歌 (Chén Kǎigē) e 张艺谋 (Zhāng Yìmóu) foram os motores gêmeos desse movimento.
"Red Sorghum" (红高粱, Hóng Gāoliáng, 1988) de Zhang Yimou anunciou um novo cinema chinês com a força de uma explosão. Filmado em vermelhos e dourados saturados, contou uma história de paixão e resistência no interior da China com uma intensidade visual sem precedentes. Seus filmes subsequentes — "Raise the Red Lantern" (大红灯笼高高挂, 1991), "The Story of Qiu Ju" (秋菊打官司, 1992), "To Live" (活着, 1994) — mapeavam a gama da experiência chinesa com intimidade e um escopo épico. "To Live," que acompanha uma família por décadas de turbulência política, permanece talvez o retrato mais devastador da China do século 20 comprometido em filme.
"Farewell My Concubine" (霸王别姬, Bàwáng Bié Jī, 1993) de Chen Kaige interliga a história de dois artistas da Ópera de Pequim com cinquenta anos de história chinesa, desde a era dos senhores da guerra até a Revolução Cultural. Ganhou a Palme d'Or em Cannes — ainda o único filme em língua chinesa a receber essa honra.
A Sexta Geração: Underground e Sem Compromissos
Enquanto a Quinta Geração ganhava aclamação em festivais internacionais, um grupo mais jovem...